Compasso | Adoção Escolar

Compasso

Essa noite eu simplesmente perdi o compasso
Minha cabeça doeu
Meus olhos se encheram do que meu coração tanto sente

Eu senti muito medo
Medo de todas as assombrações que me perseguem desde a infância
Dos monstros, das bruxas
De mim

Minha visão inteira se embasou
Meus dedos tremeram
Meu coração se contorceu, mais forte do que em todas outras noites de pavor

Nessa noite, de fato eu vi
Os monstros, as assombrações, meus medos
Eles são tão reais quanto o oxigênio que eu respiro
Eles estavam escondidos numa capa de melancolia infantil
Agora sem as capas, elas se tornaram pessoas

Eu sempre tive medo
Medo de não poder viver
De não poder ser feliz
Aqueles pequenos pesadelos de criança eram um trailer do que eu iria encontrar à frente

Eu cresci, diria infelizmente
E agora os pesadelos são diários, rotineiros
Os monstros estão por toda parte
E finalmente agora eu sei, eles não querem me devorar, ou me levar pra suas casas escuras

Eles querem fazer da minha felicidade sua morada
E querem me fazer magra de vida e de cor

Agora eu tenho mais medo
Eu não sei até quando quando os “pesadelos” vão durar
Eu não sei até quando cada desinformado pode virar um zumbi
Como eles

Medo eu tenho, e muito
Mas a pequena porcentagem de coragem que existe dentro de mim me fez escrever esse texto, que se mal interpretado, não terá sentido

Eu apenas gostaria de aconselhar aqueles que assim como eu, correm todos os dias dos zumbis
Você, assim como eu já deve está ofegante
Por isso, e apenas por isso, eu direi a todos esses zumbis: Eu estou cansada, muito cansada, como nunca estive. Mas eu não irei desistir, tem uma fada dentro de mim que reduz a minha sede, a minha falta de ar, e a dor dos meus calos.
Todos temos uma fada dentro de nós.

E zumbis não podem comer fadas.

Ana Carolina Fernandes



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